William Bonner não foi preso graças a Romário
A viagem não foi nenhum sacrifício. Segundo Bonner, sua missão mais entediante naqueles dias foi ter que dirigir o tal carro na pista secundária do circuito de Montmeló, Catalunha. “Vejam que chato: era o secundário porque o principal estava sendo usado por equipes da Fórmula 1 em treinos pré-temporada. Chato, chato…”
O problema começou quando, na noite de encerramento do evento, a equipe de produção decidiu “chutar o balde”, nas palavras de Bonner. “Todo mundo decidiu que seria razoável aproveitar a festa para comer e beber como os convidados do evento. Mas beberam mais do que comeram. E quando notaram este fato, beberam mais – introduzindo, todos, seus pés na jaca”, contou.
A noite avançou, chegou a hora de todos voltarem para o hotel e ficou para os que aparentavam alguma sobriedade a função de dirigir. Eram cinco carros, e Bonner foi escalado como motorista do terceiro veículo do comboio. O número 1 ficou para a única pessoa que conhecia o caminho do hotel. Tudo certo até que a líder da comitiva de brasucas decidiu ignorar a luz vermelha numa esquina e entrar à direita, sendo seguida por todos. Na outra rua, dois guardas catalães ao lado de uma viatura deram a ordem para todos pararem.
“Um era alto e magro. O outro, seu oposto. Um parecia furioso. O outro, baixinho e redondinho, tinha uma expressão de felicidade no rosto.” Pois foi o alto quem sugeriu que os festeiros descessem dos carros. Não é de se admirar que o grupo de “brasucas embriagados” tenha considerado Bonner o de maior credibilidade e pedido, “em um português enrolado como o que pronunciam pacientes terminais numa C-T-I: Vvvai vvochê. Fala vvochê cu elesh…”. O jornalista ainda tentou: “Nosotros somo periodistas de Bracilll. Estamos acá para trabahar para una… una…” E o guarda: “Están todos borrachos!” A Fátima, que não bebe, ficou tentando entender como caiu naquela enrascada.
Já imaginando as manchetes dos tabloides sensacionalistas, Bonner chegou a implorar. Até que o guarda gordinho sorriu e decidiu pronunciar suas primeiras palavras: “Brasileños como Romário?” “Siii, pero no jugamos como el…”, confirmou, já em lágrimas. Segundo o jornalista, “o gordinho olhou pro magrão. E o magrão mandou que todos entrassem nos carros. E os dois escoltaram a caravana de bêbados até o hotel.”
Fonte: http://www.blogdogudin.com
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